08 mayo, 2011

Cinco libros: Patrícia Melo

(foto tomada del blog de Patrícia Melo: cadernosdoticino.wordpress.com)

Estoy pidiéndole a diversos escritores y artistas que recomienden cinco libros de ficción a los lectores de este blog y por qué no, de paso, al autor del mismo. No se trata, para nada, de un ránking ni mucho menos de una lista canónica. Se trata, más bien, de cinco libros que repentinamente ellos quieran proponer y compartir con los demás.

El voto de Patrícia Melo:


Cinco leituras de Patrícia Melo


La sombra del Púgil de Eduardo Berti

Acabei de le “A sombra del Púgil” – de Eduardo Berti, que conheci no festival de literatura de Marseille e que gentilmente me convidou para participar de seu blog, com indicação de leitura de cinco títulos. O romance é uma saga familiar tipicamente portenha, que relata a dissolução de um núcleo familiar composto por três irmãos, seus pais, tias e agregados, dos anos sessenta até o início do século XXI. A linguagem simbólica de Berti está firmemente fundada na tradição literária hispano americana, seu virtuosismo lírico me lembra Julio Cortazar, Ernesto Sabato, Borges e Garcia Marquez, mas há na sua literatura uma dicção própria, original, muito singular e irônica.

O que gostei no romance, e meu marido está tendo o mesmo feeling, é que a nostalgia argentina da qual é tecida o tango aparece no livro renovada: é deliciosa a descrição que Berti faz de um tempo emperrado, que se recusa a avançar da mesma forma que o “relógio catedral” que ocupa um lugar de destaque na família e se recusa a funcionar.

A ideia de imobilismo da sociedade argentina está presente o tempo todo, e a sua desagregação é um constante perigo, como num castelo de cartas, onde basta um deslocamento para que a estrutura desabe.

A habilidade com que Berti usa a figura do boxer, outra paixa argentina, para criar uma dança com o leitor, com volteios e arremetidas é digna de um grande escritor. Há um limite propositalmente pouco definido entre a realidade e a fantasia, entre a memória e a ação, a ponto da própria identidade do narrador ser indefinida, podendo ele ser qualquer um dos irmãos. E tudo isso vem enegrecido pela sombra da ditadura, com sua esterilidade, sem que isso tenha uma conotação panfletária, mas altamente literária, amarga, como se fosse uma chaga de vergonha, escondida por trás de veneziana fechadas. Não entendo como ele ainda não foi editado no Brasil e espero que em breve os leitores brasileiros possam conhecê-lo.


Mecanismos internos – Ensaios sobre literatura, de J.M.Coetzee

Estou no meio da leitura deste magnífico livro de Coetzee, de quem sou absolutamente fã.

Coetzee talvez seja o único escritor contemporâneo que admiro profundamente (não são poucos: Amoz Óz, Philip Roth, Sebald entre outros) cuja a obra é inteiramente regular. E natural que um escritor tenha alguns livros melhores que outros, ou temas em que se saia melhor. Coetzee mantém seu nível de excelência em tudo que faz, na prosa, na biografia-ficção e nos ensaios.

A maior parte dos ensaios publicados neste volume que estou devorando foi publicada na New York Review of books, e são pérolas sobre autores singulares como Robert Musil, Robert Walser, Bruno Schulz entre outros.

O que impressiona é sua postura tradicional e irretocável de “crítico literário”. Conhece com profundidade toda a obra e vida do escritor sobre o qual escreve, conhece as línguas originais em que foram escritas e comenta as diferentes traduções, como um crítico literário que se preze deveria fazer. Vai mais longe: discute a função da arte, e “as responsabilidades do escritor e o potencial ético da ficção” como coloca Deker Attrige na introdução.




The Pale king, de David Foster Wallace

Este último, acabei de encomendar pela Amazon, depois de ler a resenha de Jonathan Raban, no New York Review of books.

Wallace se formou em inglês e filosofia numa das grandes universidades americanas,em Massachusetts, e sua imensa bagagem intelectual, com suas pesquisa e teses acadêmicas, acabou sendo incorporada a sua ficção.

O livro, que já nasceu cult e ficou “inacabado”, devido a morte prematura de Wallace, que se matou aos 46 anos de depois de uma longa luta contra a depressão que sofria há anos, nasceu como um projeto ambicioso. Raban nos conta que nas notas deixadas sobre o livro, ele esclarece que sua ideia era mostrar uma das mais tediosas profissões do mundo – como a dos contadores de um departamento fiscal do governo – poderia ser usada como uma trilha para a redenção e salvação.

Sua leitura, adverte Raban, é uma empreitada. Estou me preparando para ela.


El sendero frugal – Antologia poética 1963-2000, de Jacques Dupin. Tradução de Ivan Salinas

Foi o tradutor Ivan Salinas, que também conheci no Festival de literatura em Marseille, que me apresentou esse fenomenal poeta francês. Mais que me apresentar o poeta, contou-me histórias deleciosas sobre a grandiosa figura deste artista, que durante anos foi presidente da Fundação Maeght e amigo íntimos de figuras como Picasso, Tal-Coat, Gauguin e muitos dos protagonistas dos modernistas.

Paul Auster assina a introdução. A poesia de Dupin não é fácil, e a sofisticação é imensa. Curioso é que se sente na sua obra algo muito euclidiano nos temas, e ao mesmo tempo, uma realidade telúrica, com esses dois opostos se chocando o tempo todo e criando uma tensão constante. Vê-se a natureza hostil e o homem que testa seus limites. Uma de suas pérolas para deixar os leitores tentados a embarcar no mundo de Dupin”: “ Escrever sobre a ponta do pé, escrever caminhando sobre a água, quando o rio é mais amplo e mais comunicativo, por estar seco...”



Descanse em Paz – de Joyce Carol Oartes

O romance intertextual de Carol Oates traz cinco histórias sobre cinco autores: Edgar Allan Poe, Emily Dickinson, Mark Twain, Henry James e Hemingway. A estatura dos autores escolhidos mostra o desafio do projeto, que Oates realiza com a maestria de quem escreveu alguns dos melhores romances da atualidade, como Blonde, e A filha do coveiro. Mais que recriar a voz desses autores-personagens, em seus últimos momentos de vida, Oates imprime sua marca em cada um deles, de maneira respeitosa e apaixonada. Muitos dos contos surgiram a partir do material dos próprios autores, como no caso de Poe Póstumo, baseado num dos papéis que Poe deixou, depois de sua morte.

A temática excêntrica tem um pararelo na dicção singular e elegante de Carol Oates. Eu a conheci muito jovem, quando estava lançando meu primeiro livro, num festival de literatura em Toronto. Na ocasião, ela estava atordoada por ter tido seu passaporte roubado no hotel. Ainda hoje lamento não ter, naquela época, o conhecimento e interesse que tenho hoje por sua obra para poder entrevistá-la e fazer tantas perguntas sobra sua maravilhosa literatura.


Patrícia Melo, escritora brasileña, es una de las voces más singulares y más influyentes de las últimas décadas de literatura en portugués. Entre sus novelas se destacan Matador (1995), Elogio de la mentira (1998), Infierno (2001), Valsa negra (2003), Mundo perdido (2006) y Ladrón de cadáveres (2010). Ha escrito también obras para teatro y su novela Matador fue adaptada al cine por Rubem Fonseca y estrenada como O Homen do Ano (2003), película dirigida por José Henrique Fonseca.

Enlace a su blog "
cadernosdoticino":
http://cadernosdoticino.wordpress.com/





1 comentario:

Lucio dijo...

Una versión al idioma de Borges!